Eduardo Braga

20/08/2025

Eduardo Braga detalha entraves na BR-319 e hidrovia do rio Madeira
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Líder do MDB no Senado diz que condição da rodovia passou do “purgatório” para o inferno

Em audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, o senador Eduardo Braga, líder do MDB no Senado, apresentou um panorama da situação da infraestrutura de transporte no Amazonas. Ele detalhou os desafios enfrentados pelo estado em relação à mobilidade, com foco nas condições da BR-319 e nos entraves para o desenvolvimento das hidrovias. 

O senador descreveu a rodovia BR-319, única ligação terrestre de Manaus com o restante do país, como deplorável. “Em que pese ela tenha melhorado muito, nós saímos do purgatório pro inferno, não chegamos nem próximo do paraíso”, destacou o parlamentar.

Os cerca de 400 quilômetros sem pavimentação e os impasses burocráticos impedem a via de operar com a eficiência necessária para o escoamento da produção e a circulação de pessoas.

Segundo Braga, a falta de avanço na pavimentação das estradas e a ausência de investimentos estão diretamente ligadas à burocracia na repactuação de contratos de concessão, algo que ele classificou como uma “das piores heranças que o governo atual recebeu”.

No setor aquaviário, o senador ressaltou que, na ausência de estradas eficientes, as hidrovias se tornam a principal alternativa, mas também enfrentam problemas. Braga citou a travessia de balsa que liga Manaus ao Careiro da Várzea como um exemplo de serviço defasado, com “balsas ultrapassadas, velhas, mal cuidadas”.

A falta de segurança jurídica nos contratos de concessão impede que as empresas invistam na modernização da frota, conforme o relato do senador. Além disso, ele criticou a falta de dragagem nos rios, principalmente no Rio Madeira, e o aumento do tamanho dos comboios de balsas, que levam a problemas de dirigibilidade e segurança na navegação.

Antes, eram permitidos comboios de 20 comboios com até 2.000 toneladas cada. Esse limite passou para 30 balsas do mesmo tamanho. “Não tem dirigibilidade, não tem empurrador ou rebocador que consiga manobrar com tamanho peso e com tamanha velocidade”, destacou.

Por causa da falta de segurança, Braga citou que, apenas nos primeiros seis meses deste ano ocorreram ao menos três acidentes que resultaram em mortes e na destruição de portos fluviais.

As dificuldades de mobilidade, conforme a análise apresentada, geram impactos econômicos e sociais. O aumento dos custos logísticos afeta o setor produtivo, e a falta de conexões eficientes resulta no isolamento de comunidades. “A nossa hidrovia é muitas vezes a diferença entre o isolamento e a interligação, mas sem portos, sem condições de navegação, sem navegabilidade, isso é impossível”.

O senador concluiu a sua participação na audiência em que foram votados os nomes de indicados para agências reguladoras enfatizando a necessidade de uma atuação mais ágil e eficiente na ANTT e na ANTAQ, para que o estado do Amazonas possa superar as dificuldades de transporte.

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