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Durante o evento Vozes da Amazônia, realizado em Brasília em uma parceria entre o portal Metrópoles e o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), o senador Eduardo Braga (MDB-AM) apresentou uma visão estratégica sobre o futuro da região. Relator da Reforma Tributária no Senado, Braga destacou que o modelo da Zona Franca de Manaus vive um momento histórico de consolidação e segurança jurídica
Ao discutir a governança sobre o território amazônico, o senador defendeu que a escala do desafio exige o abandono de métodos obsoletos em favor da inteligência tecnológica. Para Braga, a soberania e a proteção ambiental dependem de ferramentas de ponta.
“Não será catando piolho que nós vamos fazer a preservação e a fiscalização da Amazônia. Será com enxame de drones, com câmeras de calor humano, de detecção de calor humano, será com satélite”, afirmou.
Essa transição tecnológica já ganha corpo com a instalação de um centro de pesquisa do Instituto Militar de Engenharia (IME) em Manaus, focado em monitoramento e inventário ambiental.
Durante o debate com o presidente do CIEAM, Luiz Augusto Barreto Rocha, e com o professor Márcio Holland, da FGV, Braga destacou que, embora a ZFM financie serviços essenciais em todo o Amazonas, o desenvolvimento econômico ainda está muito concentrado na capital. Ele defendeu a expansão dos benefícios e a criação de novas estratégias para atingir outras regiões do Estado.
“É preciso que nós tenhamos novos instrumentos, novos mecanismos para que a Zona Franca possa ajudar a ter a interiorização do desenvolvimento econômico, não apenas no Amazonas, mas na Amazônia Ocidental como um todo”, destacou.
A Oportunidade dos data centers
Um outro ponto abordado por Braga foi a análise sobre o Redata, o modelo de incentivos para data centers que caducou recentemente no Senado Federal por decurso de prazo. Braga explicou que, embora a expiração da lei possa parecer negativa, ela abriu uma brecha estratégica para o Amazonas.
O senador ressaltou que, no modelo anterior, o Polo Industrial de Manaus estava excluído. Agora, com a discussão do PL 278/2026, abre-se a chance de o estado captar parte dos R$ 52 bilhões em investimentos previstos para o setor, inserindo definitivamente a região na economia de dados global.
Ao concluir, Eduardo Braga reforçou que a preservação da floresta deve ser indissociável da melhoria da qualidade de vida das pessoas, transformando a biodiversidade em um ativo econômico rentável e sustentável.