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O senador Eduardo Braga (MDB-AM) manifestou duras críticas à decisão da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas que suspendeu quatro editais de licitação para obras de pavimentação na rodovia BR-319.
Em discurso na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o parlamentar classificou o Observatório do Clima, autor da ação civil pública, como uma “holding do clima” e um palanque ideológico global que ignora a realidade amazônica.
“A pobreza é o maior inimigo da floresta. Ao tentar imobilizar o Amazonas através do isolamento, a pressão internacional e o observatório do clima acabam alimentando justamente o ciclo que dizem combater. Quando você priva o guardião da floresta, o cidadão amazônico de infraestrutura, logística e um índice de desenvolvimento humano digno, você o empurra para economia de subsistência predatória que, esta, sim, destrói o meio ambiente”, ponderou.
A liminar, proferida pela juíza Mara Elisa Andrade, determinou a interrupção imediata dos certames do DNIT por um prazo de 70 dias, sob o argumento de que as intervenções no “trecho do meio” exigem licenciamento ambiental rigoroso e não podem ser classificadas meramente como “manutenção”.
Um dos pontos do discurso de Braga foi o questionamento sobre a origem dos recursos da organização. O senador afirmou que a ONG é mantida quase exclusivamente por entidades internacionais, citando repasses da Open Society Foundation (George Soros), Rainforest Foundation Norway e Ford Foundation.
Segundo Braga, o Observatório do Clima recebeu cerca de R$ 771 milhões em dez anos, mas carece de transparência em seus canais oficiais. Ele criticou ainda o fato de a sede da instituição ser no Rio de Janeiro, acusando seus membros de estarem distantes das dificuldades enfrentadas por quem vive na região, como o isolamento e as doenças tropicais.
O senador enfatizou que a BR-319 é a única ligação terrestre de Manaus com o restante do país e que sua precariedade pune o estado que mais preserva a floresta no mundo (97%).
Braga relembrou o cenário dramático da pandemia de Covid-19, quando caminhões carregados de oxigênio ficaram atolados enquanto pacientes morriam por falta de suprimentos em Manaus.
“O que esses adversários querem é deixar o nosso estado entregue à lama, à poeira e ao atoleiro”, declarou. Para o parlamentar, o isolamento encarece alimentos e vulnerabiliza a segurança alimentar e nacional do Amazonas e de Roraima.
Contrariando o argumento de que a pavimentação aumentaria o desmatamento, Braga propôs a criação de uma “muralha digital”.
A estratégia prevê o uso de enxames de drones com câmeras térmicas, inteligência artificial e conectividade via Starlink para monitorar a rodovia em tempo real. Essa tecnologia permitiria identificar invasões e crimes ambientais antes mesmo da derrubada da floresta.
Além disso, defendeu que o projeto utiliza o Tratamento Superficial Duplo (TSD) e Triplo (TST), tecnologias de baixo impacto ambiental que se adaptam ao leito já aberto da estrada. Ele concluiu afirmando que a pobreza é o maior inimigo da preservação e que privar o cidadão de infraestrutura o empurra para economias predatórias.
Braga fez um apelo para que a juíza visite a rodovia e “veja o povo que vive na 319” antes de julgar o mérito da ação.