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A economia verde, baseada nos serviços ambientais aliada à tecnologia e preservação será o principal player para o futuro da Amazônia. É o que defendeu o senador Eduardo Braga na tarde desta sexta-feira (21/03), em Manaus, durante o II Fórum ESG Amazônia, um evento colaborativo organizado pela Superintendência da Zona Franca (Suframa) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) com objetivo de debater e preparar as indústrias do Polo Industrial para a COP30, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, prevista para acontecer em Belém do Pará no final do ano.
Ao participar do painel “Transição Energética: Caminhos para um Futuro Sustentável e seus Impactos Climáticos”, Eduardo Braga afirmou que o Amazonas já vem transformando sua matriz energética desde 2009, quando deixou para trás a dependência das termelétricas a diesel e passou a usar o gás natural de Coari, além do Linhão de Tucuruí e o sistema nacional. Para o futuro, espera-se ainda a interligação às hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau por cabos através da BR-319.
“Saímos de uma geração a diesel para uma que é bem menos poluente e impactante na emissão de gases de efeito estufa”, explicou Braga. “No futuro, além do Tucuruí, Manaus terá conexão de energia com a Venezuela, o que trará segurança energética. Nosso maior desafio será transformar a Zona Franca no grande líder desta nova fronteira que é a indústria de data centers. A questão do meio ambiente, governança e social tem tudo a ver com essa perspectiva futura do nosso estado de desenvolvimento”, disse Eduardo Braga.
Segundo o presidente-executivo do CIEAM, Lúcio Flávio de Oliveira, as indústrias da Zona Franca já desenvolvem práticas de ESG, mas o desafio é adequá-las à nova política mundial. “Essa é uma pauta que passa necessariamente por toda a sociedade, é uma exigência não só do setor privado, mas do setor público. A presença do senador aqui demonstra a importância do debate. Ao adotarmos essas novas exigências mundiais, isso aumentará a nossa competitividade”, disse.
A coordenadora adjunta da Comissão CIEAM de Transição Energética do Amazonas, Zilda Costa, destacou que o cenário continua sendo desafiador porque diversas regiões do interior da Amazônia ainda utilizam termelétricas a diesel. “E pensar que temos dois milhões e meio de pessoas ainda atendidas a diesel na Amazônia. O problema são os sistemas isolados, que a gente não consegue chegar lá com as linhas de distribuição e de transmissão. A transição energética é necessária, deixar de utilizar o diesel é necessário”, ressaltou Zilda Costa.
De acordo com Eduardo Braga, o pagamento por serviços ambientais (PSA) deve ser outro ponto importante para o futuro da floresta e da Zona Franca. “Apontam o dedo para a Amazônia, mas não reconhecem a importância dos serviços ambientais por nós prestados. Aprovamos recentemente a primeira lei nacional de crédito de carbono. Nas próximas décadas, nosso maior founding de financiamentos virá da economia verde e economia dos serviços ambientais”, disse.
“A Amazônia é a reguladora do ritmo hidrológico que mantém a floresta em pé e que impacta todo o Hemisfério Sul. Isso permite ao Brasil ser o país do agronegócio, ter chuvas e clima favorável à soja, ao milho, ao algodão, permite o Brasil ter uma matriz energética 65% baseada em hidrelétricas. Se não fossem os rios voadores que a floresta amazônica provoca, se não fosse a Zona Franca, que tem papel nisso, não teríamos hidrelétricas, teríamos depressão dos nossos reservatórios e insegurança hídrica, tanto para geração como para abastecimento humano e geração agrícola”, disse Eduardo Braga.
II Fórum ESG
Num formato pré-COP30, o evento buscou promover debates relevantes e soluções construtivas sobre como as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) podem incorporar princípios de sustentabilidade em suas operações. Durante a abertura do fórum, o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, destacou o lançamento da “ZFM+ESG”, uma iniciativa para estimular cada vez mais empresas da ZFM a implementarem progressivamente boas práticas ambientais, sociais e de governança.
“Estaremos à disposição das empresas a qualquer momento. Queremos ao final desse prazo de um ano mostrar para a sociedade que as empresas aderiram e iniciaram suas jornadas ESG. O nosso sonho é que a Zona Franca de Manaus seja considerada uma referência global ESG”, ressaltou Saraiva.
Motocicleta elétrica
O II Fórum de ESG Amazônia contou com a exposição de diversas iniciativas e negócios sustentáveis. Dentre eles, a Yamaha Neo’s, a primeira motocicleta elétrica fabricada no Brasil por empresa de grande porte. O veículo de duas rodas começou a ser produzido na Zona Franca de Manaus no início deste ano. Com autonomia de 70 quilômetros e duas baterias recarregáveis em tomadas comuns, a motocicleta tem conectividade e pareamento com celular por meio de aplicativo.