–
Diante de um cenário de endividamento do agronegócio, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) reforçou a urgência de que seja criada uma linha de crédito clara para evitar o colapso do setor produtivo nacional. A fala ocorreu durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal nesta terça-feira (14/04).
Braga destacou que o produtor rural brasileiro enfrenta uma pressão financeira insustentável, fruto da combinação entre política monetária interna e conflitos geopolíticos. Ao diagnosticar a crise, Braga utilizou uma expressão contundente para descrever os obstáculos acumulados
“Como diriam no Nordeste, isso é uma queda e três coices. Um é a taxa selic explodida. Dois, o preço do combustível graças a uma guerra insana no Irã. Três, o preço dos insumos da agricultura, graças a outra guerra insana entre a Rússia e a Ucrânia. E o pobre coitado do agricultor brasileiro é que está pagando a conta com uma taxa Selic explosiva e que sem uma linha de refinanciamento clara para salvar o setor“, afirmou.
A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, é apontada como o principal motor do endividamento. O impacto é agravado pelo barril de petróleo acima dos 100 dólares, devido às tensões no Oriente Médio, o que eleva os custos de logística e produção.
Complementando o diagnóstico, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto de renegociação na CAE, alertou para uma “falência generalizada no campo”.
Renan comunicou à comissão que o governo, por meio do ministro da Fazenda, Dário Durigan, apresentará uma contraproposta ao projeto de refinanciamento aprovado na Câmara ainda nesta semana.
O parlamentar criticou entraves burocráticos e decisões do Conselho Monetário Nacional (CMN) que, ao exigirem decretos de calamidade pública municipal, restringiram o alcance de medidas de socorro anteriores. O novo projeto busca utilizar recursos do Fundo Social e superávits de outros fundos para viabilizar a renegociação das dívidas.